3ª Sessão

O Conselho de Guias 

            O Conselho de Guias é tão antigo corno o próprio Escutismo, sendo urna parte integral do Sistema de Patrulhas. Foi Baden-Powell quem o inventou:

O Conselho de Guias é formado pelo Chefe do Grupo e pelos Guias de Patrulha, ou, se o Grupo for pequeno, dos Guias e Sub-Guias. (...) O Conselho de Guias trata de prémios, castigos, programas de trabalho, acampamentos, e outros problemas relacionados com a administração do Grupo

Baden-Powell, Escutismo para Rapazes

 

O que faz o Conselho de Guias?

Reúne-se regularmente  

Faz o planeamento das actividades do Grupo  

Interessa-se pelo recrutamento e recepção de novos elementos 

Assegura que o Sistema de Patrulhas funciona devidamente 

Trabalha com os Dirigentes de modo a que os elementos do Grupo usem o Sistema de Progresso eficazmente 

Mantém a honra e o nível do Grupo

 

Nota explicativa: o que é o Sistema de Patrulhas?

            O Sistema de Patrulhas é o método utilizado pelo Movimento Escutista para formar física, mental e espiritualmente jovens, através da participação em actividades formativas no seio de um pequeno grupo de amigos. Em poucas palavras, é isto. Em muitas, é tudo aquilo que tu, Guia, e os Escuteiros de todo o Mundo vivem, dia após dia, a vossa amizade, as vossas experiências e tudo aquilo que tanto prezas no Escutismo. O Sistema de Patrulhas não é um método de fazer Escutismo. E O método para o fazer!” (Roland E. Phillips)

             Os Guias de Patrulha assistem ao Conselho de Guias por direito próprio, para participarem na manutenção da honra do Grupo e nas deliberações e projectos do mesmo Grupo, mas estão lá também como representantes das respectivas Patrulhas.

            Esta última parte é muitas vezes a parte mais difícil de bem cumprir. Deixemos pois urna coisa bem clara: tu és o delegado da tua Patrulha! Estás lá para fazer valer os interesses, projectos e realizações dela; corno responsável da Patrulha, tens que pôr os Chefes ao corrente dos progressos e dificuldades de cada Escuteiro. Do mesmo modo, o que se decidir no Conselho de Guias e disser respeito à Patrulha (tudo o resto é privado, e não deve ser falado com ninguém que não seja membro do Conselho), deves relatá-lo à tua Patrulha.

            Assim corno tu tens que estar pronto para aceitar que a opinião dos teus rapazes sobre qualquer assunto pode não ser a mesma que tu tens – mas que no entanto é a escolha da maioria que terás que apresentar no Conselho – também tu e/ou a tua Patrulha terão que aceitar se o Conselho decidir contrariamente aos vossos desejos.

            É assim a democracia – a maioria vence! Não encares estes episódios corno derrotas, só porque não partilhas da ideia que foi seleccionada, ou irás ter muitas tristezas na vida. Vê isto corno uma lição – uma lição sobre liberdade, democracia, consenso e alternância. Se incorporares estes conceitos na tua vida, poderás ir longe...

            Falamos acima em consenso. Isto significa que, ao contrário do que muitas vezes se vê por aí, os Guias cujas ideias foram postas de parte não vão contar a todo os outros Escuteiros "que bando de palermas que eles são, olhem só o que eles querem fazer... ". Consenso significa decidir respeitando as opiniões de todos, e executar respeitando as opiniões de todos! Se o Conselho de Guias decidiu, então a decisão foi de todos os seus membros, e não de alguns "palermas"!

            A questão do sigilo também merece ser relembrada. Não é porque tenhamos a mania da "sociedade secreta", ou tenhamos medo da "conspiração universal"! E somente uma maneira simples de dar surpresas aos Escuteiros. Se todos souberem exactamente o que se vai fazer em matéria de programa, não tem muita graça, enquanto que se souberem as linhas gerais, mas em vez da conversa do costume, lhes sair uma actividade com o mesmo tema mas de um modo original, verás que os Escuteiros se vão divertir.

            Além disso, por vezes no Conselho de Guias pode-se falar de algum assunto mais delicado, ou respeitante à vida pessoal de um Escuteiro, e esses assuntos devem-se limitar às pessoas que tem necessidade de saber disso. Como conselho geral nas tuas conversas sobre alguém, lembra-te das seguintes perguntas:

O que vou dizer é necessário? 

O que vou dizer é correcto (próprio)?

O que vou dizer vai beneficiar a pessoa em questão?

Se a resposta a alguma destas perguntas for não, acho que deves pensar muito bem, e talvez não dizer nada, afinal...

 

A honra e o nível do Grupo

Parece-te uma função estranha para um Conselho de Guias? Pois podes acreditar quando te dizemos que é a sua função mais importante, porque é a que mais pessoas vêem. Podem não saber que é o Conselho de Guias que toma as decisões sobre esses assuntos, mas todos os notam. Referimo-nos aos comportamentos dos Escuteiros do Grupo.

O Conselho de Guias tem autoridade e o dever de fixar os níveis mais elevados quanto à conduta, apresentação, procedimento em público, linguagem. Uma vez que o Conselho de Guias aceite tal responsabilidade, será muito mais fácil incutir nos Escuteiros o verdadeiro espírito Escutista do que seria qualquer soma de recomendações e práticas feitas pelos Chefes.

O orgulho associativo (desde que em quantidades saudáveis e não em demasia) é essencial no Escutismo em geral e em cada elemento da Patrulha.

Como exemplo conhecido de todos vós, Guias, a apresentação dos Escuteiros. O Conselho pode decidir que calças de ganga são aceitáveis para actividades em campo, onde seja previsível que se sujem, mas que vergonha é ver rapazes que se dizem Escuteiros numa actividade de Núcleo, ou numa Missa, com calças azuis claras! E que humilhação para qualquer Guia ouvir Escuteiros a praguejar em público!

 

Os procedimentos

Seria ideal se todos os Guias pudessem receber a agenda, ou "ordem do dia", de cada Conselho de Guias previamente, de modo a poderem discutir algum assunto aí levantado com as suas Patrulhas. No entanto, se isso é possível por vezes, não o é sempre, e o modo mais simples de remediar esta situação é ter reuniões do Conselho frequentes.

Enquanto que é vital que os Guias venham preparados para uma reunião que só acontece uma vez por mês, à qual, obviamente, nenhum pode faltar, num Grupo que reúna o Conselho uma vez por semana, ou quinzenalmente, pode delegar nos Guias a tarefa de sondarem a opinião da Patrulha sobre determinado assunto e de comunicarem a opinião geral na próxima reunião.

Todas as reuniões devem ter um programa (falar-te-emos mais sobre isso na próxima sessão), e isso não é menos verdade no caso do Conselho de Guias. Um programa assegura que tudo que é preciso debater, é-o de facto, e a função de quem preside a qualquer reunião é garantir que assim se passa. Quem quer que seja a presidir ao Conselho de Guias, tem as obrigações de:

Fazer com que o programa acordado se cumpra;  

Se houver um horário estabelecido que também este seja obedecido;

Que ninguém abuse do direito à palavra, e todos tenham a oportunidade de exprimir a sua opinião

            O Conselho deve também nomear um Secretário, que vá tomando notas dos principais assuntos, argumentos e decisões tomadas no Conselho de Guias. Este procedimento pode, muitas vezes, parecer perfeitamente dispensável, mas sucede que um registo do que se falou e decidiu é muitas vezes precioso, quanto mais não seja para a história do Grupo. Fazei este cargo rotativo, à semelhança da presidência do Conselho.

 

O Guia de Grupo

            Em muitos grupos há a tradição, ou a necessidade, de nomear um Guia de Grupo, cuja função principal é presidir ao Conselho de Guias. Em muitos casos, a presidência é exercida pelo Chefe de Grupo, embora não tenha que o ser – qualquer Guia pode presidir ao Conselho de Guias, ou podeis experimentar rodar o cargo de reunião para reunião.

            O Guia de Grupo pode também assumir as funções de Guia da Patrulha formada pelos outros Guias, para actividades e formação exclusiva para estes. Do mesmo modo, esta tarefa pode ser alternada por todos os Guias.

 

O Parlamento

O Conselho de Guias é o equivalente ao Parlamento.

Temos urna Constituição no nosso Regulamento Geral, condensada na forma da Lei do Escuta. Os Guias, verdadeiros deputados, representam os seus Escuteiros e decidem sobre a "legislação" que o Grupo deve cumprir.

A Chefia do Grupo, à semelhança do Governo, tem a obrigação de levar a cabo as determinações do Conselho de Guias e de velar pela gestão no dia-a-dia do Grupo. Tem assento no Conselho de Guias, mas não vota, simplesmente expondo e explicando pontos em questão.

O Guia de Grupo funciona como o Presidente da Assembleia da República, cumprindo-lhe assegurar a correcção dos processos no Conselho de Guias.

O Chefe do Grupo ou do Agrupamento, qual Presidente da República, tem a obrigação de velar pela integridade física, moral e psicológica dos Escuteiros, bem como a de representar o Movimento Escutista, e pode, portanto, vetar decisões do Conselho de Guias.